Não tem almoço de graça (Gênesis Cap. 43)

Confiança, Responsabilidade, Perdão, Humilhação

NÃO TEM ALMOÇO DE GRAÇA
Gênesis 43 – Confiança, Responsabilidade, Perdão, Humilhação

Há um ditado popular que diz: “não tem almoço de graça” que, em Gênesis 43, se mostra verdadeiro.

Pano de Fundo Histórico: Devido à forte estiagem que iria durar sete anos, havia muita fome em toda a região. Somente no Egito havia o que comprar para comer. A remessa de alimentos que foi trazida pelos filhos de Jacó na primeira viagem que fizeram àquele país estava se acabando e eles precisam voltar lá, mas, como já vimos no esboço do capítulo 42, Simeão havia ficado “preso” e José exigiu que Benjamin viesse junto na próxima viagem, sob a ameaça de não vender alimento para eles novamente, de manter a acusação de espionagem e de não soltar Simeão. Havia muita coisa em jogo.

A refeição preparada por José não foi apenas um gesto de hospitalidade, mas o ápice de um processo doloroso, caro e necessário. Cada personagem precisou pagar um preço emocional, espiritual e relacional para que a reconciliação avançasse. O texto nos ensina que restauração nunca é barata, seja entre irmãos, seja entre o homem e Deus.

RESUMO: Vejamos o “preço” pago por cada um dos participantes deste almoço:
1. O preço pago por Jacó — Confiar, apesar do medo paralisante.
2. Por Judá: foi substituição e responsabilidade.
3. Por José (o anfitrião): perdoar, apesar da dor.
4. E pelos irmãos, humilhação que revela o coração.


Não tem almoço de graça
1. O PREÇO PAGO POR JACÓ — Confiar, apesar do medo paralisante

O preço pago por Jacó foi liberar Benjamin. Desde a suposta morte de José, o patriarca vive dominado pelo medo. Esse medo, embora compreensível, havia se tornado paralisante e atrasava a sobrevivência da família.

Judá expõe isso com franqueza: “Se não tivéssemos demorado tanto, já teríamos ido e voltado duas vezes” (v.10).

Somente quando Jacó reconhece que não há alternativa, ele entrega o filho nas mãos de Deus: “Se tiver de ser assim…” (v.11).

Conexão com Cristo
Jacó precisou entregar Benjamin; Deus Pai entregou o próprio Filho. Onde Jacó hesitou, o Pai celestial agiu por amor. A salvação só foi possível porque Deus confiou Seu Filho ao caminho do sofrimento.

Aplicação Prática
Medos não tratados travam famílias, ministérios e decisões. Zelo é virtude; controle é incredulidade disfarçada. Entregar a Deus aquilo que mais amamos é um ato de fé madura.


Não tem almoço de graça
2. O PREÇO PAGO POR JUDÁ — Substituição e responsabilidade

Judá paga o preço mais alto: oferece a si mesmo como garantia. Diferente de Rúben, que ofereceu seus filhos, Judá coloca a própria vida em risco.

Esse gesto marca sua transformação e o estabelece como líder entre os irmãos. Não por força, mas por responsabilidade. É aqui que nasce a linhagem messiânica.

Conexão com Cristo
Judá antecipa o princípio da substituição: alguém se coloca no lugar do outro. Em Jesus, isso se cumpre plenamente. Ele não prometeu, Ele se entregou.

“Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras.” – Tito 2:14

Aplicação Prática:
Arrependimento verdadeiro assume consequências. Quem amadureceu espiritualmente não transfere o custo para outros; assume sua parte com coragem.


Não tem almoço de graça
3. O PREÇO PAGO POR JOSÉ — Perdoar, apesar da dor

José paga o preço do perdão. Ele chora, se retira, luta consigo mesmo. Seu coração ainda está ferido. Perdão não é amnésia, nem ingenuidade.

Por isso, ele continua provando os irmãos. Não por vingança, mas por prudência. O texto mostra que perdão é processo, não espetáculo.

Mas, perdoar traição de irmão é complicado, pois, como bem dizem as Escrituras, em Provérbios 18:19: “O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza”.

Conexão com Cristo
Cristo perdoa, mas não banaliza o pecado. Na cruz, o perdão custou sangue. A graça não ignora a dor; ela a redime.

“Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira”. – Romanos 5:9

Aplicação Prática
Perdoar não significa confiar imediatamente. Significa decidir não cobrar vingança e permitir que Deus cure no tempo certo.


Não tem almoço de graça
4. O PREÇO PAGO PELOS IRMÃOS — Humilhação que revela o coração

O último preço é a humilhação pública. José os organiza à mesa por idade e favorece Benjamin.

Tudo é proposital. A pergunta é clara: a inveja ainda vive neles? Desta vez, não há revolta. O coração mudou.

Conexão com Cristo
Jesus ensinou: “Quem se humilha será exaltado”. A humilhação que gera arrependimento prepara o caminho da restauração.

Aplicação Prática
Deus usa situações desconfortáveis para revelar pecados antigos. Resistir à correção prolonga a dor; aceitá-la acelera a cura.


Não tem almoço de graça
CONCLUSÃO

Vejamos o “preço” pago por cada um dos participantes deste almoço:
1. O preço pago por Jacó — Confiar, apesar do medo paralisante.
2. Por Judá: foi substituição e responsabilidade.
3. Por José (o anfitrião): perdoar, apesar da dor.
4. E pelos irmãos, humilhação que revela o coração.

Não tem almoço de graça, cada um dos envolvidos precisou pagar um alto preço para que esta refeição começasse e terminasse bem (vs 34). A grande lição que este capítulo bíblico nos deixa é que a reconciliação entre irmãos sempre foi (e sempre será) difícil. Sempre irá requerer de TODOS os envolvidos grandes esforços.

Com Deus não foi diferente: nossa reconciliação exigiu o sangue de Cristo.

Pergunta final: Você está em paz com todos? Está pronto para sentar à mesa sem culpa?

Hoje é dia de ajustar contas — com Deus e com os irmãos.

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Título: Não tem almoço de graça
Autor: Pr Ronaldo Alves Franco
Site do Pastor
Data: 05/02/2021

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2 Comments

  1. Muitas vezes quando achamos que estamos na pior, Deus faz tudo mudar para melhor! Jacó clamou a Deu e falou: “— Se eu perder os filhos,sem filhos ficarei”(v.14). Nossos melhores sermões são feitos quando nosso coração está na ‘entrega sincera’, achando que esse pode ser nosso último testemunho. E a misericórdia nos vem sob unção e novas missões!

    Vemos que por duas vezes os irmãos de José se curvaram perante ele (42.6 e 43.26), mostrando-nos que as profecias bíblicas se cumprem literalmente e não de forma figurada ou alegórica.

    Esses acontecimentos revelam, entre outras coisas, a mudança de coração que Deus estava operando em todos, principalmente em Judá que assumiu a responsabilidade (v. 9).

    No caso de José, para que haja reconciliação onde há muito sofrimento envolvido, tem de haver confissão do ofensor e a pessoa ferida tem de estar pronta a perdoar.

    Quanto aos irmãos, José deve ter notado a mudança no coração deles. É verdade que todo pecado tem consequências e todos hão de prestar contas de seus pecados, mas também é verdade que Deus modifica os corações daqueles que pecam contra nós, da mesma maneira que Ele vem modificando a nossa pessoa! Por isso, devemos agir com amor e não sermos implacáveis, sem misericórdia.

    Note o turbilhões de emoções! Jacó ficou angustiado, temeroso de perder Benjamim. Os irmãos de José sentiram o peso da consciência por causa do pecado e também terror, temendo serem feitos escravos pelo governador: “os homens tiveram medo”(v. 18a).

    E José foi tomado por tanta emoção que lutou para controlar-se. Ele agiu com prudência e conheceu, através de testes, os corações mudados de seus irmãos. “E chorou ali”(v. 30a). Isso para mim é profético! Jesus ainda chora por Israel, mas um dia o Cristo Se apresentará diante de Israel e Israel será redimido, finalmente! Eu me emociono com capítulos assim!

    Só Deus é capaz de lidar com todas as situações, consertando tudo em todos, e ainda glorificando o Seu Nome Maravilhoso e Majestoso! Só Ele conserta as coisas: “Deus é a minha fortaleza e a minha força, e Ele perfeitamente desembaraça o meu caminho”(2 Sm 22.33).

    Deus seja louvado!

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