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Estudos Especiais em I Coríntios preparados pelo Rev Silas Matos Pinto
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11º – REVELAÇÃO DE DEUS

1 Coríntios 2.9-11 – “Mas, como está escrito: ‘Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam’. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”.

É engraçado ver como eram tiradas as fotos no passado. O fotógrafo se escondia dentro da câmera, protegido por um pano preto, chamava a atenção de todos e soltava o canhão. Uma nuvem de fumaça cobria o ambiente. Então era só esperar a revelação da foto e, pronto. O momento importante estava guardado em uma fotografia.

O processo de revelação das fotos mudou muito. Hoje máquinas são usadas na revelação e o fazem numa velocidade assustadora. Muitos ainda usam o antigo e sombrio quarto escuro, onde mergulham o material no líquido especial e misteriosamente as imagens vão surgindo diante dos olhos do revelador. Muitas fotos não são reveladas. Muitas delas queimam e, por causa disto, umas são reveladas e outras não, fazendo com que momentos especiais se percam na memória por não terem sido deixados registrados.

Prender a imagem dentro de uma máquina e depois mostrá-la num papel é algo, para mim, misterioso. Mas mais misterioso é ver algo espiritual sendo revelado no mundo natural. Estou falando da revelação de Deus. O mundo busca ver Deus para conseguir acreditar nele. Pelo fato de não conseguirem ver a Deus confeccionam para si objetos em formas de homens e animais direcionando-lhes as suas orações como se fossem o próprio Deus. Essas imagens de pedras ou outros materiais revelam o desejo íntimo do homem de contemplar o Criador. Querem ver aquele a quem não podem ver. Se não vêem o espiritual, então criam algo natural para satisfazer sua curiosidade.

O costume de confeccionar imagens é antigo. Os Filisteus adoravam a uma imagem chamada Dagom. Essa foi a imagem de pedra que foi jogada por Deus no chão para mostrar aos filisteus que só existe um Deus. “Eis que estava caído Dagom com o rosto em terra, diante da arca do Senhor; Eis que Dagom novamente jazia caído de bruços diante da arca do Senhor” (1 Sm 5.3,4); Nabucodonossor foi outro que fez uma grande imagem, só que de si mesmo. Ele mandou que o povo o adorasse; O bezerro de ouro, confeccionado por Arão, no deserto, foi outra tentativa de colocar Deus diante dos olhos dos homens. Como o boi era adorado no Egito a imagem criada pelos hebreus foi a de um bezerro. A Bíblia registra uma lista muito grande de deuses que os povos criaram na tentativa de ver aquele a quem adoravam.

Deus repudia qualquer tipo de representação de Sua imagem ou de qualquer outra pessoa ou objeto, seja através de desenhos ou esculturas para prestar-lhe culto. Essa repulsa de Deus contra as imagens é descrita no segundo mandamento, que diz: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo da terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto…”(Ex 20.4-6). Deus nunca desejou ser retratado através de imagens, tanto é que ele nunca se mostrou aos homens. A razão de não se deixar ver é registrada em Deuteronômio 4.15,…: “Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o Senhor vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou mulher, ou animal ou volátil que voa pelos céus ou em forma de algum peixe. Deus não se mostrou aos homens para que esses não fizessem um retrato seu e assim o adorassem. Deus quer ser adorado em espírito e em verdade, não como uma imagem de pedra, mas como o Deus vivo e verdadeiro que está sempre presente na vida dos seus servos, estando em todos os lugares e nas situações agradáveis e desagradáveis, dando aos seus filhos o seu apoio e a proteção necessária. Ele é vivo e não uma imagem ou estátua.

Quando Tomé exigiu ver as feridas de Jesus para crer (João 20.25), Jesus lhe disse: “Bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20.29). A fé do homem não pode se basear naquilo que vê. Deus existe e se faz presente na vida dos homens. Crer que ele está presente e atua em nossas vidas é o desafio proposto por Deus. Alguns só acreditam que ele está presente se tiver um crucifixo nas mãos. Mas somente serão salvos e receberão os bens espirituais que Deus oferece aqueles que crerem nele e o adorarem sem a necessidade de uma imagem para direcionar sua atenção. Deus abomina as imagens e ídolos.

Os homens nunca viram a Deus. Mas apesar de não se mostrar aos homens, Deus se deu a conhecer a muitos homens e mulheres que confiaram nele e o serviram. Deus não se deixou ver, mas se revelou a muitas pessoas. É sobre isso que vamos falar nesse estudo.

O nosso tema é A REVELAÇÃO DE DEUS.

Em primeiro lugar, veremos que Paulo mostrou que MUITOS NÃO PUDERAM CONHECER A DEUS. v. 9 – “Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.

Tem uma figura arrepiante do folclore mundial que tem a sua origem num problema de saúde física. Hoje pouco se fala sobre a loucura de cachorros. Vê-se pouquíssimos casos de cachorros loucos porque a vacinação dos animais tem sido permanente e muito dinheiro tem sido gasto para que essa doença seja erradicada. A loucura dos cachorros se dá por uma bactéria que causa uma inflamação na garganta e gengivas do animal levando-o a ter dores fortíssimas e  uma irritabilidade muito grande, deixando-o nervoso e agressivo. Os cachorros loucos pouco aparecem durante o dia por causa da fotofobia. Fotos é luz e fobia é medo, isso significa que o animal fica com medo da luz porque ela o incomoda e lhe traz mais dor. Muitos humanos foram mordidos por cachorros doidos e morreram de forma horrível. Para tratá-los era necessário isolá-los em quartos escuros. Quando a porta era aberta eles gritavam de dor, imitando os uivos dos cães, porque a luz os incomodava muito. Os homens infectados com a doença, quando não eram tratados em hospitais e moravam em fazendas, em noites claras, por causa da lua cheia, andavam pelos matos babando (por causa da inflamação da garganta e gengivas) e uivando (por causa da dor e do incômodo provocado pela claridade da lua) fazendo surgir assim a lenda do lobo-homem ou lobisomem. Cria-se que quem fosse mordido por ele também se tornaria lobisomem. Não é através da mordida do cachorro que o homem era infectado? Assim como as pessoas e animais infectados com a doença não podem ver a luz, os homens, por causa da infecção do pecado em suas vidas, não podem ver a Deus e nem ouvir a sua voz.

Deus falou com o povo de Israel no deserto e todos sabiam que Deus estava falando, mas apenas Moisés foi capacitado a entender as suas palavras. O povo estava cheio da idolatria do Egito e para eles um deus de metal os satisfaria. Eles não estavam em condições de se encontrar com Deus. O povo ouviu apenas trovões e barulhos ensurdecedores capazes de deixar todo o povo aterrorizado. Eles não ouviram a voz de Deus porque estavam com seus ouvidos tapados.

O mesmo aconteceu quando Saulo ia para Damasco prender e matar os cristão, e Jesus, após sua ressurreição e ascensão, veio ao seu encontro e conversou com Saulo com palavras audíveis e Saulo as compreendeu a todas. O diálogo foi assim: “E, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, porque me persegues? Ele perguntou: Quem és tu Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues”( At 9.4,5). Saulo pôde entender o que Jesus dizia e atentou para cada um de suas palavras, porém os companheiros de viagem de Saulo não tiveram a mesma experiência. Atos 22.9, diz: “Os que estavam comigo viram a luz, sem contudo, perceberem o sentido da voz de quem falava comigo”. Os companheiros de Paulo o viram cair e também viram uma grande luz, mas não puderam ouvir nada.

Daniel, no capítulo dez de seu livro, conta uma de suas visões, e assim como nos dois casos que citamos apenas ele foi privilegiado em conseguir contemplar aquilo que os outros não podiam. O versículo sete diz: “Só eu, Daniel, tive aquela visão; os homens que estavam comigo nada viram; não obstante caiu sobre eles grande temor, e fugiram e se esconderam”. O servo de Deus viu, mas os homens que estavam com ele não puderam ver nada do que Daniel viu.

Em segundo Reis 6.17, Eliseu e Geasi estavam num monte e este foi cercado por inimigos sírios. O moço que estava com Eliseu se estremeceu e acovardou-se diante do exército inimigo. Eliseu podia ver o livramento de Deus, mas o moço estava com os olhos tapados. Então Eliseu orou: “Senhor, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu”. Não havia razão para temer. A vitória estava garantida com a proteção de Deus. Proteção essa que Eliseu podia ver, mas que Geasi somente viu após Deus abrir os seus olhos.

Os homens que estavam com Paulo e Daniel, assim como os israelitas no deserto e o moço que estava com Eliseu, não tiveram a experiência espiritual que os servos de Deus tiveram. Enquanto Moisés, Eliseu, Daniel e Paulo falaram com Deus e viram a sua glória, os outros homens ouviram apenas barulhos e viram apenas luzes. A experiência com Deus provocou prazer e alegria nos servos de Deus, mas provocou medo e pavor nos homens que não o puderam ver, ouvir ou sentir. Para a maioria dos homens, contemplar a Deus e suas obras é uma experiência impossível.

A nossa afirmação, sob o versículo, é que muitos não puderam conhecer a Deus. Eles não conheceram a Deus por que não quiseram, mas porque não puderam. Deus estava lá, ele falou, alguém ouviu, mas alguns não o ouviram simplesmente porque não podiam ouvir. Paulo disse: “Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. Isso é o que acontece hoje, quando você fica maravilhado com o culto e a mensagem e o vizinho de banco, que está ao seu lado, acha tudo comum. É que Deus abriu os teus olhos para que você visse o que ele queria lhe mostrar, enquanto Deus deixou que o teu vizinho continuasse cego e não visse a ação de Deus. Deus se revelou a alguns e para outros ele se manteve oculto.

O pai não dá o presente do filho para o filho do vizinho. O presente do filho é especial porque o filho é para o pai alguém especial. Do mesmo modo Deus tem muitas coisas reservadas para Seus filhos que não são do conhecimento da maioria das pessoas. Os outros são pessoas normais. Eles têm todos os sentidos humanos que os filhos de Deus têm, mas são incapazes de discernir as coisas relativas a Deus porque lhes falta algo especial. Falta-lhes a capacitação divina para conseguirem perceber a presença e as ações de um Deus maravilhoso que está ao seu redor. Eles não o podem ver porque essa visão pertence os filhos de Deus que o amam. É o que Paulo afirma: “jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.

Em segundo lugar, Paulo mostrou que ALGUMAS PESSOAS CONSEGUIRAM CONHECÊ-LO. v. 10a – “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito, ou seja, “Mas Deus se revelou a nós pelo Espírito”.

Faz parte do desejo humano ver a Deus. Vimos que muitos homens fazem ídolos de materiais variados porque querem, mas não conseguem ver Deus, nem ouvir sua voz ou sentir a sua presença. Se satisfazem com uma estatuetazinha de alguém que dizem representar Deus ou entidades religiosas. Vimos também que muitos homens estiveram diante de Deus, sabiam que ele estava falando, viram a sua luz, mas não conseguiram captar o que ele dizia.

Nosso argumento agora é em prol daqueles que ouviram, viram, sentiram e foram capacitados a entender a mensagem transmitida. A Bíblia diz que Adão, antes de pecar, conversava diariamente com Deus. O pecado interrompeu esse diálogo diário; O relato bíblico continua e diz que Enoque andou com Deus e Deus o tomou para si. Ele foi levado vivo para o céu; Noé ouviu Sua voz e recebeu dele a incumbência de construir a arca; Abraão falou com Deus e recebeu dele as suas bênçãos; Jacó teve uma visão celeste; os vários profetas foram incumbidos de trazer a Sua vontade aos homens, após ouvirem as suas palavras; Moisés conversou várias vezes com Deus; o mesmo aconteceu com o seu substituto Josué. Estes e muitos outros falaram com Deus e para eles essa experiência foi algo incomum e maravilhoso.

Essa realidade tem de ser entendida com temor e tremor. O homem que foi capacitado a ouvir a voz de Deus deve se humilhar diante do Criador e deve respeitá-lo ainda mais. O homem que pode ouvir a Deus deve se portar como servo útil para o reino de Deus. Deve compreender que essa experiência é algo extraordinário e que demonstra a manifestação do imenso amor de Deus para consigo. O homem que pode dizer: “Deus falou comigo, eu o ouvi e entendei”, é uma pessoa especial. Ele foi capacitado por Deus num particular que muitos outros homens não o foram. Ele recebeu de Deus um grande presente. Mas esse é um presente que traz muita responsabilidade.

Depois de falar que muitos não viram com seus olhos, nem ouviram com seus ouvidos e  nem lhes penetrou em seus corações a mensagem salvadora de Deus, mostrando que são incapazes de ter uma experiência real com Deus, Paulo diz que algumas pessoas puderam ter essa experiência gratificante: “Mas Deus se revelou a nós pelo Espírito”.

Quando se lê o final do versículo que diz que Deus não revelou aos outros o que estava reservado para aqueles que o amam, o homem que recebeu essa revelação de Deus pode se achar mais especial que outros. Pode dizer: “Eu recebi porque eu amei a Deus”. Mas a realidade é que nós não amaríamos a Deus se ele não desse o primeiro passo. 1 João 4.19, diz: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”. Deus nos capacitou a amar e por isso é que o amamos. Então poderíamos dizer que Deus se revela àqueles a quem ele amou e por isso reservou para esses amados o maior e mais especial presente que poderia existir: “Deus se revelou àqueles que o amam”. Deus se nos deu como um presente.

Pare e pense: Você conhece a Deus e muitos não o conhecem porque são impedidos de conhecer; você pode senti-lo, enquanto muitos não o podem sentir porque são insensíveis ao toque de Deus. Você sabe de coisas que muitos nunca poderão saber. Você é especial!

Agora vem a parte principal sobre esse assunto. Você não é especial por acaso. Deus o escolheu para uma missão especial – Proclamá-lo ao mundo. Deus o escolheu para viver de forma especial – Em santidade. Deus não o escolheu para que você se perca – Mas para que seja salvo. Diante disso há um grito que ecoará em seus ouvidos: VOCÊ VAI CONTINUAR VIVENDO UMA VIDA COMUM, DA MESMA FORMA QUE VIVEM OS PEDIDOS? Rogo a Deus que sua resposta seja um belo e sonoro: NÃO!

Se Deus o amou e se revelou a você, você não pode se dar ao desperdício de se jogar de volta na sarjeta. Você é uma jóia da coleção especial de Deus.

Por fim, Paulo mostrou que não adianta o homem tentar encontrar a Deus do seu jeito, pois A REVELAÇÃO DIVINA DEPENDE DA VONTADE DO PRÓPRIO DEUS. v. 10b e 11 – “Porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”.

Quando Paulo discursou em Atenas ele chamou a atenção para um fato importante. Ele mostrou aos atenienses que o homem não pode encontrar Deus, mesmo que o procure com todo cuidado – “Para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós” (At 17.27). Paulo mostrou, no versículo seguinte, que nós existimos em Deus e ele está sempre diante de nós. Para o homem o problema não é saber que Deus está lá. O problema é crer que ele está lá sem que o possa ver.

O Espírito Santo é quem revela o que Deus deseja que seja revelado. O Espírito Santo investiga atentamente (perscruta) qual a vontade de Deus, e segundo a Sua vontade é que ele mostra aquilo que para os homens é misterioso. Deus é o maior mistério para o homem. A pergunta: Quem é Deus? No nosso catecismo, foi a pergunta que mais desafiou, incomodou e desgastou os teólogos que o confeccionavam. Os homens não sabem quem é Deus. Eles o conhecem apenas através de suas manifestações e ações a favor dos homens. O ser de Deus só não é um completo mistério para os homens porque o Espirito Santo, que conhece a vontade de Deus, por ser ele também o próprio Deus, revela aos filhos de Deus o bastante para que os seus filhos possam crer e depender dEle.

O Espírito Santo revela o ser de Deus por ser ele também o próprio Deus. Para entender melhor esse mistério é necessário entender o próprio homem. O homem é formado de corpo e alma. O corpo humano reage às vontades da carne motivado pela queda da alma. O corpo e a alma são uma unidade inseparável, porém de naturezas distintas. O material (corpo) se une ao espiritual (alma) formando o homem. A morte separa o inseparável, mas ressurreição os unirá. Assim como o corpo tem desejos benéficos e maléficos motivado pela alma caída ou renovada, também a alma humana é afetada pelas situações e dores enfrentadas pelo corpo por fazerem parte de uma mesma realidade. Assim também, o Espírito Santo, por fazer parte da Trindade Bendita e ser um com o Pai e com o Filho, pode saber o que faz parte do desejo do Pai e do Filho e assim pode transmitir aos homens essa vontade divina. Sobre isso Paulo disse assim: “Porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”.

O homem não pode compreender completamente um outro homem. Somente a própria pessoa é que pode se fazer conhecer aos outros, se ela o desejar. Por melhor que seja um psicólogo não pode arrancar do paciente um segredo que ele não queira revelar. Esse segredo é tão seguramente guardado porque cada um tem a autoridade sobre si de manter ou de revelar aquilo que deseja ou não revelar. Somente o homem conhece a si mesmo e se dá a conhecer a quem deseja.

Se o homem tem essa autoridade sobre si e ninguém pode arrancar dele o que ele não deseja revelar, então não estamos errados em afirmar que a revelação divina depende da vontade do próprio Deus. Os homens não podem fazer Deus aparecer ou se revelar no lugar e hora marcados pelo homem. Todas as manifestações de Deus aconteceram em locais e horas totalmente alheios à vontade do homem. O homem nunca controlou Deus e nunca o fará. Deus se revela a quem quer, quando quer e se quiser.

O homem necessita da revelação divina. Ele tem dentro de si um receptor, deixado por Deus, que anela por um contato com Deus. O pecado causou um dano irreversível nesse receptor e o homem não pode consertá-lo. Como os receptores de todos os homens estão quebrados, nenhum deles poderia ver, sentir, ouvir ou de alguma maneira se comunicar com Deus. O próprio Deus resolveu consertar os comunicadores de alguns homens. Esses escolhidos por Deus foram capacitados a terem um contato maior com ele, os outros, que não tiveram o comunicador consertado, são absolutamente impedidos e inabilitados a ter qualquer tipo de contato com Deus, mesmo que desejam isto. Mas mesmo os homens que foram novamente habilitados para essa comunicação não podem controlar esse comunicador, pois é Deus quem define o que, quando e como ele vai se comunicar.

Nosso tema foi A REVELAÇÃO DE DEUS. Vimos que os homens sempre buscaram ter uma comunicação com Deus. Tentaram vê-lo e não puderam. Nessa tentativa criaram ídolos com o intuito de colocar Deus diante de seus olhos, mas essa tentativa foi frustrada porque as estátuas eram absolutamente mortas. Deus se revelou apenas a quem quis e no momento desejado por ele. Diante dessa dificuldade de comunicação do humano com o divino, vimos nesses três versículos que

 MUITOS NÃO PUDERAM CONHECER A DEUS. v. 9 – “Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.

Uma quantidade imensa de pessoas não puderam e nunca poderão ter qualquer contato com Deus. Essa realidade acontece porque é Deus quem dá ao homem a capacidade de entender ou não os seus sinais e falas.

 ALGUMAS PESSOAS CONSEGUIRAM CONHECÊ-LO. v. 10a – “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito. ou seja, “Mas Deus se revelou a nós pelo Espírito”.

Outra realidade é que ao mesmo tempo que muitos homens se viram totalmente incapazes de se comunicar com Deus, outros homens tiveram um contato direto com ele. Ouviram sua voz e falaram com ele. Em muitos casos, esses homens que ouviram a voz de Deus estavam entre outros homens e mesmo assim os outros não puderam entender o que Deus falava

 A REVELAÇÃO DIVINA DEPENDE DA VONTADE DO PRÓPRIO DEUS. v. 10b e 11 – “Porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”.

A última realidade observada é que a revelação de Deus depende única e exclusivamente do próprio Deus. Homem algum pode marcar um encontro com ele. Também não pode definir suas ações ou o seu modo de agir. O homem depende totalmente de Deus para conhecê-lo.

Meu irmão. Vimos que o homem não pode conhecer a Deus se Deus não se revelar. Você conheceu a Deus. Ele habita em teu coração. Ele é o teu Senhor. Não gaste inutilmente o teu tempo. Você é muito especial para Deus. Não viva a vida comum dos mortos. Viva como vivo em Deus e cumpra o teu dever como servo fiel.

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